11º Painel do Instituto Sucessor : O que fica quando tudo se transforma?

Na quinta-feira, dia 7 de novembro, convidados, consultores, palestrantes e famílias empresárias acompanhadas pelo Instituto Sucessor se reuniram para buscar uma resposta à pergunta chave de 2019.

Para falar sobre o que permanece em um mundo de constantes e, cada vez mais, velozes transformações, o 11º Painel de Famílias Empresárias chamou três palestrantes que testemunham e vivem essas mudanças no seu dia a dia. Eles compartilharam experiências e relatos de como não é possível resistir a tanta inovação e mudanças comportamentais, e demonstraram como elas podem ser eficientes e frutíferas para os negócios.

Durante o evento, a fundadora do Instituto Sucessor e consultora de famílias empresárias, Magda Geyer Ehlers, contou aos convidados sobre as mudanças que estão sendo realizadas no Instituto, que tem buscado oferecer novas oportunidades de desenvolvimento e aperfeiçoamento aos membros das famílias atendidas.

Magda também compartilhou a experiência de escrever seu primeiro livro “Ao Seu Tempo – Um olhar sobre as trajetórias de fundadores de empresas familiares”, que teve o pré-lançamento realizado ao final do 11º Painel. A obra terá lançamento ao público em 5 de dezembro, na livraria Saraiva do Moinhos Shopping, a partir das 19h.

Quanto à pergunta tema do ano, as respostas foram as mais variadas e compõem a nuvem de palavras que ilustra esse texto. Entre elas, as mais citadas foram valores, propósito e família. E para você, o que fica quando tudo se transforma?

Transformação e tradição

Em sua palestra, a especialista em transformações organizacionais, Thais Blanco, falou sobre os dois pontos centrais da cultura empresarial: a primeira, conectada aos valores e princípios da empresa e, a segunda, aos atributos de estratégia do negócio. Nesse sentido, a primeira parte é perene e deve ser preservada, enquanto a segunda é mutável e deve acompanhar a evolução do cenário externo.

A consultora lembrou que é importante ressignificar os valores, olhando para eles de um ponto de vista atual. Ou seja, as mudanças que ocorreram no mundo fizeram surgir novos comportamentos que precisam estar conectados aos valores pré-existentes.

Thais Blanco ressaltou a importância de pensar na inovação e nas mudanças antes que elas se façam necessária ou urgentes, pois “quanto mais antecipados estivermos, maior será a preservação dos valores e princípios da família e da empresa”. Para isso, ela apresentou os quatro momentos de transformação: Proativo, Remedial, Turnaround e Resgate do negócio. A velocidade com que as mudanças precisam ocorrer e a ruptura por elas provocada tem intensidades diferentes e, para tanto, é necessária uma avaliação do momento em que a empresa está.

Ela provocou os participantes a pensarem como estão lidando com as transformações que ocorrem atualmente nos seus negócios e em qual fase/momento estão.

Fazer a mudança no dia a dia

O empresário gaúcho Nelson Sirotsky, segundo convidado da tarde, falou sobre como tem sido viver uma transformação na sua carreira profissional. Em 2015, ele deixou suas funções executivas no Grupo RBS, empresa de sua família na qual ingressou em 1976 e que comandou, como executivo, de 1991 até 2012, quando realizou a sua sucessão.

“Eu sei como é difícil fazer uma transformação na sua vida, pois estou fazendo a minha. A única certeza é o dia de hoje e, mesmo assim, não sabemos como ele terminará”, destacou Nelson, que enfatizou a importância de viver um dia de cada vez.

Em sua fala, ele compartilhou um pouco da história pessoal, dos momentos vividos ao lado do pai, Maurício Sirotsky Sobrinho, e da família, berço dos seus valores e princípios. Contou ainda que na casa dos pais, o negócio e a família se misturavam, pois ao final de seus programas de rádio, Maurício costumava levar os músicos e cantores para um brinde em casa.

Nelson falou como foi o processo de elaboração de suas memórias, publicadas no livro O Oitavo Dia. A intenção do empresário era deixar um legado aos netos e contar a eles a sua versão sobre os fatos que viveu e as lições que aprendeu, sempre arrancando risos da plateia graças ao seu carisma e bom-humor.

Universo em transformação

Recém chegado de Israel, onde realizou imersão num dos principais polos mundiais de inovação e tecnologia, Moacir Marafon fez questão de ressaltar aos participantes do 11º Painel de Famílias Empresárias a importância do investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Novamente, o ritmo em que as mudanças estão ocorrendo foi destaque em sua fala.

“O telefone levou 75 anos para atingir 50 milhões de pessoas em todo o mundo. O app Pokémon GO atingiu essa marca em 13 dias”, destacou.

Moacir falou da importância do desapago e da consciência de que a inovação só ocorrerá se ela for buscada por meio de tentativas e que nem todas serão bem sucedidas. Entretanto, incentivar que o pensamento inovador seja uma constante nas empresas é empurrar a curva de desenvolvimento e morte de um negócio para mais tarde. É a partir disso que ocorrerá a reinvenção.

O empresário, um dos sócios fundadores da Softplan, empresa catarinense de desenvolvimento de softwares para gestão empresarial e pública, lembrou que a inovação deve estar conectada com a estratégia do negócio e que será mais bem aproveitada se surgir de uma necessidade, uma demanda, além de estar embasada em uma metodologia.

Destaque:

Anualmente, o Painel de Famílias Empresárias, promovido pelo Instituto Sucessor, reúne especialistas, consultores, famílias empresárias e palestrantes convidados a falar sobre a temática do ano, sempre relacionada ao universo da família, da sucessão e da governança. Em 2019 foi realizada a sua 11ª Edição.