A importância da formação de bons sócios nas Famílias Empresárias

Garantir a perpetuidade da empresa e do patrimônio familiar ao longo das gerações é um desafio que as famílias empresárias ou investidoras precisam encarar. A formação de bons sócios é uma das etapas primordiais desse processo, especialmente quando tratamos da 3ª geração da família, na qual irmãos e primos passam a assumir o controle dos negócios.

Esse é um dos temas do livro “A Família Investidora e o Family Office”, escrito pelos sócios da INEO Marcelo Geyer Ehlers, Antonio Fernando Azevedo e Grégorie Balasko Orélio. Para eles, o trabalho de formação de sócios de uma família empresária precisa ser proativo, buscando o aprimoramento das próximas gerações e estimulando comportamentos e atitudes que garantam a manutenção do patrimônio.

“Diferentemente de qualquer outro negócio no qual é possível escolher com quem se associar, em uma família empresária ou investidora o processo de sucessão naturalmente torna irmãos e/ou primos sócios. Por isso, além de formar filhos éticos, comprometidos com os negócios e capacitados para cuidar do capital financeiro e do legado, as famílias têm a missão de preparar, a cada nova geração, bons sócios”, afirmam.

Citando a fundadora do Instituto Sucessor e consultora de famílias empresárias, Magda Ehlers, eles apontam que a sociedade é como um casamento, no qual as pessoas se unem por uma causa comum. Os vínculos que se estabelecem a partir daí são fundamentais para atingir os resultados almejados.

Deve-se evitar a formação do vínculo comensal – uma relação na qual um membro é absorvido pela prepotência, arrogância e hipocrisia do outro – e de conexão simbiótica – quando um depende do outro para existir e o sócio não consegue tomar decisões e ter independência.

O ideal é que se estabeleça o vínculo parental, quando existe parceria entre as partes e “apenas 25% do indivíduo está conectado ao outro, garantindo independência de pensamento e ações”.

Quando esse último tipo de vínculo é estabelecido, é possível formar sócios que estejam na sociedade por vontade própria, atuem com parceria, comprometimento, responsabilidade e autonomia de opinião e posicionamento. Assim, conseguem ter independência suficiente para deixar as relações pessoais de lado e fazer as cobranças necessárias para o desenvolvimento dos negócios.

Para conseguir realizar a formação desses membros, é necessário criar estruturas para preparar os descendentes, organizar o patrimônio e elaborar acordos e regras para proporcionar um ambiente saudável e equilibrado de desenvolvimento. Além disso, é preciso incentivar os vínculos parentais e buscar capacitações constantes, que os auxiliem a compreender seu papel na organização e na tomada de decisões.

O Plano de Desenvolvimento de Herdeiros, desenvolvido pelas consultoras do Instituto Sucessor, é um bom exemplo de processo para a formação de bons sócios. Suas etapas incluem uma análise da sinergia entre o indivíduo e os negócios da família, a identificação de suas qualidades e características, um plano de preparação para seu desenvolvimento pessoal, qualificação educacional e vivências profissionais para potencializar suas habilidades.

Outra possibilidade para o desenvolvimento dos sócios de uma empresa familiar é proporcionar que eles sintam na própria pele os desafios de liderar uma empresa ou projeto. Dessa forma, encontram um ambiente desafiador, com riscos controlados e têm aprendizados essenciais para seu futuro.