A importância da conversa para as famílias contemporâneas

“De uma boa conversa a gente sai transformado”.

Foi assim que o psiquiatra e psicanalista Luiz Carlos Osorio abriu a primeira edição do Rodas de Conversa. Para o estudioso das relações humanas, conversar é mudar junto, ou seja, envolve uma escuta atenta e compreensiva, a fala sincera, e a compreensão do que é dito. São os aprendizados e as lições de um diálogo que nos fazem mudar.

A proposta dessa primeira edição do encontro promovido pelo Instituto Sucessor era falar da família contemporânea e de como ela tem se adaptado a tantas revoluções tecnológicas e comportamentais. Para colocar todos os participantes na mesma página, Osorio trouxe a definição da palavra crise, explicando que ela não é necessariamente um momento ruim e, sim, uma oportunidade.

“Hoje há muito mais franqueza nas relações e, também, oportunidades de se exercitar o afeto nas famílias do que em anos atrás”, complementou Osorio.

Os depoimentos e opiniões dos participantes desse encontro foram fundamentais para suscitar a troca e a reflexão. Entre os assuntos abordados, o egoísmo ou individualismo dominou o debate.

“Um casal é a união de duas pessoas totalmente independentes, provenientes de famílias com culturas e hábitos diferentes, dispostas a ficar juntas. E apenas o que os une são os laços do bem-querer”, explicou o psicanalista.

A consultora de famílias empresárias Magda Geyer Ehlers, que mediou a conversa, lembrou que o exercício de abrir mão em prol do outro é fundamental para a saúde das relações. Entre os participantes, foram diversos os comentários de que os indivíduos não estão dispostos a ceder com medo de perderem com isso a sua liberdade.

 Fernanda Ehlers, do Instituto Sucessor, observou que nem sempre o casamento é encarado como um projeto de vida, como é feito com a carreira. E isso pode ser motivo para a dessintonia dos casais.

Outro ponto levantado por Osorio foi o da presença e da convivência de muitas gerações em um mesmo ambiente familiar. O aumento da estimativa de vida tem proporcionado que bisavós e bisnetos sentem à mesma mesa e, conciliar essas relações geracionais tão diversas é um desafio da família contemporânea.

“São gerações com pensamentos e atitudes muito distintos e que convivem num mesmo espaço”, destacou Osorio.

A redução no número de filhos por família, ou até mesmo a opção por não os ter, é outro fenômeno contemporâneo. Osorio falou sobre a importância do convívio entre irmãos, como aprendizado para a vida.

“É entre irmãos que aprendemos a compartilhar e a disputar espaço e atenção”, avalia Osorio. As incertezas financeiras e o medo de ter um filho no mundo em que vivemos são razões frequentemente alegadas pelos casais para a redução do tamanho das famílias, de acordo com o psicanalista que já atendeu mais de 250 casais em seu consultório.

Ao final, Magda ponderou que a família sempre será o norte e a âncora dessas relações e de como todas essas transformações são saudáveis para que cada um possa ser o que é e reconhecendo suas limitações.

O próximo encontro do Rodas de Conversa será no dia 19 de julho, das 9h às 12h, no Instituto Ling. A psicóloga Renate Muller é a especialista convidada para falar de um ponto de vista sistêmico sobre o momento atual das famílias.