Cultura da integridade gera a transformação organizacional

Integridade é um valor que pressupõe honestidade e ética. Um indivíduo íntegro é aquele que não se deixa corromper por fatores externos, se mantém justo e correto independentemente da situação. No Brasil criou-se uma cultura que desvaloriza a integridade e é perceptível a crise ética que o país vem enfrentando.

Ao mesmo tempo, há a tendência de cada vez mais a sociedade criar expectativas em relação ao papel das empresas na transformação pela qual o país precisa passar. Se espera que, para além dos produtos ou serviços entregues, as empresas se preocupem e pratiquem a integridade no dia a dia do trabalho: seja nas relações trabalhistas, nos processos de trabalho, nas relações com o Poder Público, nas tomadas de decisão ou em outros aspectos.

A solução para o problema, no entanto, não é uma ação simples e isolada. A busca pela perpetuação dos valores dentro de uma empresa exige o desenvolvimento de uma cultura organizacional de integridade, baseada em regras e processos, mas também em comportamentos e sinais visíveis – e isso nem sempre acontece de forma natural.  É inegável que as empresas são influenciadas pela cultura na qual estão inseridas, mas não se pode esquecer que elas também são responsáveis por influenciar o meio, e é com pequenas atitudes cotidianas que esse meio pode ser modificado. As atitudes das empresas podem dizer muito mais sobre elas do que está apenas no discurso, no papel.

É preciso, portanto, transformar a cultura da conformidade em cultura da integridade. A cultura da conformidade busca “cumprir a lei”, enquanto a da integridade tem por objetivo “fazer a coisa certa”. Por isso é necessário que os valores da empresa estejam bem estruturados, caso contrário, nem mesmo fundadores e herdeiros conseguirão segui-los e colocá-los em prática no dia a dia. E se a gestão da empresa não segue esses valores, o restante dos funcionários também não irá seguir.

Nas empresas familiares as novas gerações sucessórias devem perpetuar os valores éticos impostos pelo fundador, ao mesmo tempo em que podem e devem questionar práticas que não estejam de acordo com as atuais expectativas da sociedade em relação à conduta das organizações. O espaço para transformação e para discussão sobre a mudança nos modelos de negócio precisa ser maior e recorrente. As empresas precisam voltar a enxergar que são feitas por pessoas e para as pessoas.

 

*Artigo feito a partir das reflexões obtidas no evento “Valores que transformam: valores da família e cultura de integridade nas empresas”, promovido pelo Instituto Sucessor em parceria com a Evolure Consultoria. A discussão foi por conta de Magda Geyer Ehlers, fundadora e diretora do Sucessor, e Claudia Pitta e Thais Blanco, sócias fundadoras da Evolure.