Educação emocional: estabelecendo relações mais saudáveis | Rodas de Conversa

O escritor e palestrante Gabriel Carneiro Costa é o próximo convidado do Rodas de Conversa, dia 4 de outubro. Na ocasião, ele falará sobre “Educação emocional: impactando relações e resultados”, com a mediação da consultora de empresas familiares Magda Geyer Ehlers.

Para introduzir o tema de sua palestra, conversamos com Gabriel para entender o que é educação emocional, qual sua relação com a Inteligência Emocional e como elas impactam as famílias e os negócios.

Instituto Sucessor O que é Educação Emocional? Qual sua relação com a Inteligência Emocional?

Gabriel Carneiro Costa – Inteligência Emocional é a capacidade de lidar e reconhecer as próprias emoções. É preciso estar claro que não se trata de não sentir algumas delas, como raiva, medo e tristeza.

A questão está em compreender que todos nós sentimos essas emoções, como ter consciência e controle sobre elas e desenvolver a empatia.

Esse conceito nasce com o psicólogo Daniel Goleman, que defende a existência de um Quociente Emocional (Q.E.), uma espécie de Q.I. (Quociente Intelectual), ligado à capacidade das pessoas em lidar com as emoções.

Para ele, a Inteligência Emocional não é uma questão de deixar de ter medo, por exemplo, e sim de estar consciente dele, saber de onde vem, como controlá-lo e, principalmente, de não deixar de fazer o que tem que ser feito.  Quem consegue fazer isso tem Inteligência Emocional.

Já educação emocional é a ferramenta para alcançar essa capacidade, é como se educam as pessoas, é o processo para atingir a Inteligência Emocional. É sobre oferecer recursos, ferramentas, técnicas e teorias para que as pessoas se instruem emocionalmente.

IS Qual o papel das escolas e famílias no desenvolvimento da educação emocional?

Gabriel – Nas escolas, percebo que ainda faltam inciativas que trabalhem a educação emocional, são poucos os movimentos. Ainda são raras nessas instituições rodas de conversa para tratar sobre medo, insegurança, timidez, entre outras emoções que atrapalham o desenvolvimento dos alunos.

Já nas famílias, sinto que quando os adultos, os pais, conseguem ter uma boa Inteligência Emocional, eles acabam criando um ambiente de educação emocional para que os filhos se desenvolvam.

IS Como a Inteligência Emocional impacta as relações familiares e o ambiente profissional?

Gabriel – Seja no ambiente profissional ou familiar, vamos ter que lidar com as emoções: vai haver o ciúme, a insegurança, a saudade, a raiva etc.

Então, sentir é uma coisa, fazer é outra. Educação emocional trabalha nesse espaço de diálogo, de reconhecimento do sentir.

Já no ambiente profissional, junto com essas emoções temos a pressão e o estresse, que geram cansaço, desequilíbrios, ansiedade…

Nesse cenário, a Inteligência emocional vem para suavizar essas questões. Fazer entender essas emoções, a maneira como elas se expressam e como cada um de nós lida com elas.

Por exemplo, na minha experiência profissional sempre notei um estresse na sucessão de uma empresa. Há sempre gente que concorda e gente que discorda, o enciumado, o invejoso, o raivoso, o motivado… E está todo mundo junto na mesma família, mesa e empresa, como que a gente lida com isso? Permitindo que todo mundo expresse o que está sentindo e encontrando uma maneira de trabalhar com essas emoções.

O maior impacto da educação emocional é percebermos como ela contribui para termos uma rotina com menos discussão, intrigas, jogos, fofocas e julgamentos, tornando o ambiente de trabalho mais objetivo, limpo e salutar.

IS Por que os indivíduos que conseguem desenvolver Inteligência Emocional são cada vez mais valorizados?

Gabriel – Pois são pessoas que lidam melhor com os conflitos. Somos uma geração na qual todo mundo tem voz, na qual a hierarquia não nos impede mais de falar e questionar, na qual todo mundo quer tudo perfeito e temos muita pressão de um mercado competitivo e pela busca constante por melhores resultados.

O profissional com Inteligência Emocional lida melhor com essas questões, não se sente tão impactado, dilui essa tensão e consegue dialogar e desenvolver uma habilidade muito importante nos grupos: a empatia.

É alguém que consegue criar um clima mais produtivo e assertivo, pois, além de se colocar no lugar do outro, consegue lidar com suas emoções e com as das pessoas que estão a sua volta.

IS O que alguém que quer desenvolver Inteligência Emocional precisa?

Gabriel – Tem que estar disposto a se dedicar. O primeiro ponto é dedicar-se a si, não tem como esse processo ser feito para entender melhor o seu chefe ou seu colega. Isso é uma consequência.

O ponto de partida é o autoconhecimento, é reconhecer sua própria fragilidade diante das emoções, é aceitar as vulnerabilidades e compreender como elas jogam a favor e contra os seus objetivos de vida.

É saber que eu tenho raiva e minha raiva é inadequada, que eu fico com inveja e acabo tratando alguém mal. Isso é desenvolver Inteligência Emocional.

Rodas de Conversa

04/10 – Educação emocional: impactando relações e resultados

Com: Gabriel Carneiro Costa – escritor e palestrante

Mediação da conversa: Magda Geyer Ehlers e Mônica Böhme

Os encontros acontecem das 9h às 12h no Instituto Ling.

Rua João Caetano, 440, Bairro Três Figueiras, Porto Alegre.

Inscrições: relacionamento@sucessor.com.br com Aline Saccol.