Em busca de novos modos de fazer

Afinal, o que é inovação? O Fórum da Inovação da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), que estuda organizações inovadoras, estabelece que ela é a soma de uma ideia a uma ação que gere resultado positivo para a empresa ou instituição. Essa definição auxilia na compreensão de que para inovar é necessária uma ação prática. De nada vale uma criação se ela não for executada.

Palavra em voga, ela não tem conexão direta e restrita com tecnologia. Está, sim, ligada à busca de novos e mais eficientes modos de fazer.

Estimular o surgimento dessas novas propostas e sua testagem é uma das iniciativas fomentadas pelas células de inovação dentro das empresas. Elas compõem um ecossistema de Gestão da Inovação que propicia que as novas soluções ocorram de uma maneira mais fluída.

O Instituto Sucessor conversou com o empreendedor e investidor Gustavo Piccinini na estreia de sua nova editoria que pretende levar aos seus leitores as novidades e tendências sobre o tema.

Instituto Sucessor – Quando o conceito de células de inovação chegou ao Brasil? Como ele vem sendo praticado?

Gustavo Piccinini – Ele começou a ser difundido no país na última década, a partir da necessidade das empresas em inovar. Em geral, sua aplicação está ligada a aspectos da cultura organizacional e que estão correlacionados ao perfil dos colaboradores e das lideranças, o que faz com que não seja tão simples a implementação de um dia para o outro.

Uma das formas de começar é identificar, por meio de uma pesquisa ou entrevista, o perfil de cada membro da sua equipe e, com isso, estabelecer times com pessoas de diferentes áreas que possam discutir os problemas e desafios do seu negócio. É importante que se firme um prazo para que esses grupos entreguem o resultado dessas discussões e que se estipule algum tipo de recompensa, como bonificações ou participação nos lucros dos novos projetos ou soluções.

Instituto Sucessor – Como são compostas as células de inovação dentro de empresas já consolidadas no mercado? Elas precisam necessariamente desenvolver oportunidades diretamente relacionadas ao negócio principal da empresa?

Gustavo Piccinini – Tenho visto que cada empresa tem lidado e endereçado o assunto de forma diferente. Muitas ainda engatinham e tentam descobrir quais são os melhores caminhos para estarem inseridas e conectadas ao ecossistema.

Nos casos das empresas que vêm se transformando há mais tempo, os modelos mais fluídos são aqueles nos quais existem iniciativas bem definidas e um modelo aberto à participação de todos colaboradores.

Por exemplo, uma empresa pode contratar uma consultoria para apoiar a transformação cultural, em nível estratégico e operacional; pode ter uma aceleradora externa para desenvolver um programa de escolha e envolvimento com startups; pode ter vínculos com fundos de investimento, ou gestoras, para buscar novas oportunidades de negócios no mercado. Ou ainda, pode ter uma aceleradora ou fundo dentro da estrutura da empresa. Todos são modos de inovar e fazer as transformações acontecerem.

Independente dos modelos e caminhos, cada vez mais temos visto organizações investindo em negócios não relacionados diretamente à sua atividade principal. Na maioria das vezes elas buscam ganho de eficiência dentro da sua cadeia produtiva ou diversificação do ramo de atividade.

Instituto Sucessor – Temos, no país, bons cases de células de inovação que desenvolveram negócios conhecidos do grande público?

Gustavo Piccinini – Acredito que a Gerdau, pela tradição, por ter começado suas operações no Rio Grande do Sul e pelo destaque global que recebe em seu setor, é um grande exemplo. A empresa possui líderes de inovação em cada unidade e times com iniciativas próprias em cidades e países diferentes. Além de já possuir alguns cases bem-sucedidos de intraempreendedorismo, também possui executivos no Vale do Silício para troca de experiências e desenvolvimento de novas oportunidades de negócio.

 

Instituto Sucessor – Como os membros de uma família empresária podem aproveitar as células de inovação para desenvolver um negócio próprio e novo?

Gustavo Piccinini – Acredito que o primeiro passo é separar uma coisa da outra, ou seja, definir se esta será mesmo uma iniciativa ligada à empresa ou desconectada dela. Se existe o interesse dessa vinculação, o membro da família pode se utilizar da estrutura física e intelectual da empresa para buscar essas novas oportunidades. Como essa busca e o start de novas operações demandam tempo e energia, poder contar com a estrutura existente pode ser um bom diferencial competitivo.

 

Quem é Gustavo Piccinini?

Administrador de Empresas formado pela PUC-RS, ele atuou nos últimos anos como Head de Investimentos da maior gestora de Venture Capital early stage da América do Sul. É membro de conselhos, mentor e consultor em companhias de tecnologia. Nos últimos 15 anos esteve comprometido com estruturações e participações em negócios de pequeno e médio porte. Residente em Tampa, na Flórida, está focado em oportunidades de negócios para empresas brasileiras nos Estados Unidos.