Empresas familiares portuguesas: Longevidade e tradição

A realidade portuguesa para o contexto de empresas familiares é similar à brasileira. Estima-se que mais de 70% de todas as empresas tenham uma estrutura e uma propriedade familiar, em Portugal, equivalendo a 50% do emprego e 65% do PIB português (2019).

Segundo a Associação das Empresas Familiares do país, são consideradas “Empresas Familiares” aquelas em que uma família detém o controle, pode nomear a gestão e alguns dos seus membros participam e trabalham na empresa.

Os casos de sucesso de empresas em Portugal chamam atenção, em sua maioria, pela longevidade. Por ser um país com muitos anos de existência, é comum encontrarmos empresas fundadas um ou dois séculos atrás.

 

Conheça alguns casos de empresas familiares portuguesas:

 

 

Grupo Jerónimo Martins

 

A Casa Jerónimo Martins foi fundada, em 1792 no bairro do Chiado, região central de Lisboa, por um jovem empreendedor galego chamado Jerónimo Martins. A empresa especialista alimentar sobreviveu a cinco regimes políticos, invasões francesas, duas guerras mundiais, quatro revoluções e o incêndio de grandes proporções que ocorreu Chiado em 1988.

Desde sua fundação, o pequeno estabelecimento comercial da área de alimentação se transformou em uma grande empresa de distribuição de produtos alimentares, com participações na indústria e, posteriormente, em um dos maiores e mais poderosos grupos econômicos do país.

Hoje em dia, o Grupo Jerónimo Martins domina diversas empresas em três setores de atividade: indústria, distribuição e comércio; atuando no mercado nacional e internacional.

O grupo é composto por uma sociedade gestora de participações sociais, 60% pertencente à holding familiar Francisco Manuel dos Santos, com quadro de administradores composto maioritariamente por membros da mesma família. O atual presidente do conselho de administração pertence à terceira geração da família Santos, que adquiriu a Jerónimo Martins & Filhos em 1921.

Atualmente, são 17.337 milhões em euros de vendas, 108.560 colaboradores e 2,8 milhões de m² em área de venda. A empresa é uma das maiores responsáveis por distribuição alimentar e retalho especializado em Portugal, Colômbia e Polônia.

 

Banco Espírito Santo

 

O fundador José Maria Espírito Santo Silva construiu uma fortuna muito considerável para a sua época. Em 1884, criou uma casa bancária que, mais tarde (1920), se tornaria o Banco Espírito Santo.

A cidade de Lisboa foi o cenário desse crescimento, onde a família contava com uma excelente rede de relações sociais. No mesmo lugar, as próximas gerações foram educadas, cresceram e se casaram, aumentando o património da família, tanto a nível material e econômico, quanto a nível social e relacional.

Desde cedo, os filhos do fundador começaram a trabalhar com o pai e, após a sua morte, souberam aproveitar os seus ensinamentos e expandir a atividade bancária. Em 1955, o Banco Espírito Santo já era considerado o primeiro banco português e, hoje em dia, é vista como a única dinastia de banqueiros portugueses.

 

Casa E. Pinto Basto

 

A família Pinto Basto destaca-se pelo grande viés empreendedor, já que são proprietários de diversas empresas, em diversas áreas de atuação. José Ferreira Pinto, o fundador, foi contador, construiu um cais no Tejo para os seus navios, foi um dos fundadores da Associação Comercial de Lisboa, provedor da Casa Pia de Lisboa, fundador de uma fábrica de moagem na cidade de Aveiro e fundador da Fábrica de porcelanas Vista Alegre – reconhecida empresa que está hoje nas mãos da sétima geração de membros da família Pinto Basto.

Na geração seguinte, os seus filhos se inseriram no setor de navegação, criando a Casa E. Pinto Basto que, tal como a Vista Alegre, ainda hoje se mantém nas mãos da família e são as duas principais empresas do grupo.

Além do viés empreendedor, a família teve uma participação ativa na política do país, atravessando vários regimes e marcando presença a cena política ao longo de dois séculos.

 

Continue acompanhando nossos conteúdos!