Funda-dores, o legado de gratidão que sustenta a longevidade das famílias empresárias

Esforço, resiliência, visão, práticas arrojadas e muita coragem são algumas das marcas que reconhecemos na figura do fundador de um empreendimento de sucesso. Muitos deles se tornaram a base de negócios familiares longevos que configuram as famílias empresárias. É interessante perceber que esses fundadores assumem, no imaginário da família e da sociedade, um posto de herói idealizador, justamente por terem conseguido construir tanto com tão pouco. Tornam-se ícones de uma revolução onde o não é considerado obstáculo apenas, um teste de desafio e força e jamais de desestímulo ou desistência.

Essa, certamente, é a parte visível e contada da trajetória. A ênfase sempre está no sacrifício feito e nas renúncias, portanto, nas dores acumuladas ao longo do caminho que os tornou líderes fortes e inspiradores, seguidos pelos exemplos de gloriosa superação. As dores da renúncia são capítulos importantes dessa história. E essas dores dos Fundadores extrapolam a dimensão pessoal e, na verdade, envolvem quem estiver no seu círculo familiar/pessoal. Muitas vezes, as dores dessa revolução são mais fortes que a imagem da obra e da conquista.

A sensação que se tem observando a história desses fundadores é que o conjunto da obra tem sempre a marca registrada de seu esforço pessoal. As demais pessoas envolvidas no enredo, entretanto, estão presentes como meras coadjuvantes diante do tamanho simbólico do protagonista. Seria muito interessante se pudéssemos ter estado ao lado de cada um e vê-los interagindo com suas famílias, assistindo o tamanho esforço que todos fizeram e quanto apoio dedicaram. Certamente, acompanharíamos noites mal dormidas, festas interrompidas, férias adiadas em prol do sonho e do objetivo a ser alcançado. Cenas que vão se perdendo na síntese de uma história que vai ser contada e recontada por várias gerações.

Mas, e depois? Depois que todo o esforço da construção inicial se conclui, a obra precisa continuar fazendo sentido, não apenas para o fundador, mas para todos os familiares envolvidos no empreendimento. Então, mais do que contar e recontar a saga do herói, é momento de novos esforços. Olhar para o lado e ver quem, efetivamente, esteve junto e partilhou as dores é uma forma de enxergar e legitimar o legado.

É preciso dedicar tempo e atenção para valorizar o abraço, a renúncia, a aposta e o amor envolvido. Sim, precisamos reconhecer o papel do protagonista, mas sabemos que ele não esteve sozinho, que houve interação, fé, apoio e muitos diálogos. Não há construção a partir de monólogos. Os fundadores tiveram sorte, saúde, amigos, crédito e muitas oportunidades bem aproveitadas. Não estiveram sós, mas sim, muito bem acompanhados.

Reconhecer e agradecer também é uma forma de enfrentar o que está por vir. Esse é um legado importante que, juntamente com o conjunto da obra, vai fortalecer a história da família empresária e dar leveza às novas etapas da caminhada em um tempo de novas exigências.

Por Magda Geyer Ehlers – fundadora do Instituto Sucessor.