Marcos Troyjo abordou contexto de mudanças no 10º Painel do Instituto Sucessor

Dinâmicas que transformam o mundo 

Um espaço para reflexão, troca de ideias e aprendizados. Essa é essência do Painel de Famílias Empresárias promovido pelo Instituto Sucessor, que chegou à sua décima edição em 2018. O tema escolhido para este ano, Propósito de Família: a base para a transformação, motivou uma tarde rica em novos conhecimentos e emoção.

O palestrante convidado Marcos Troyjo, economista e cientista político, diretor do BRICLab na Universidade Columbia, em Nova York, compartilhou com o público insights interessantes sobre o tema A nova era do talento: inovação e transformação. Em uma palestra com exemplos e referências de âmbito global, no qual discutiu os aspectos que estimulam o desenvolvimento de empresas e países, ele ressaltou as duas principais dinâmicas em andamento no mundo, com impacto nas próximas décadas.

A primeira delas é o que se pode chamar de choque de globalizações, ou seja, um movimento de mudança em um determinado ecossistema mundial que se acreditava dominante, no nível político, econômico, normativo e de valores.

A crença de que economia de mercado, democracia representativa e estado de direito eram os pilares da geração de prosperidade, e a percepção de que os Estados Unidos seriam a grande potência do século XXI, foram soterradas pela emergência de um ambiente de desglobalização, capitaneado pelo exitoso modelo chinês. Há, também, uma tendência à fragmentação de experiências como Mercosul e União Europeia.

Tal cenário tende a se transformar com o tempo, e um novo momento de reglobalização deve emergir, caracterizado pelo embate econômico entre potências como Estados Unidos e China. Nesse contexto, as empresas e as nações terão de encontrar o seu lugar no jogo, por meio de uma estratégia de adaptação aos processos de competição externa que assegure a longevidade das organizações e a vitalidade econômica dos países.

A segunda dinâmica em andamento é o desenvolvimento da Indústria 4.0, também referida como 4ª Revolução Industrial ou, ainda, como Nova Transformação Econômica. Segundo Troyjo, o grande diferencial nesse cenário são as atitudes dos indivíduos, das famílias e das empresas. Não será mais a liquidez ou o capital que farão a diferença, mas o talento. Tanto que, em vez de falar em capitalismo, seria mais coerente utilizar o termo talentismo como marca dominante deste período.

Normalmente, talento é utilizado como sinônimo de vocação, nicho, core business ou vantagens comparativas. No entanto, a palavra, que tem sua origem no vocabulário médico, significa “tendão”, ou seja, aquilo para o qual se tende. Nesse novo período que se anuncia, é fundamental pensar em talento reverso, que leve à criação de novas competências em um ambiente multifacetado e multidisciplinar.

Troyjo aponta a reinvenção como a característica primordial dos próximos anos. Destaca que é importante deixar as vocações em aberto, desenvolver a visão periférica e compreender que a essência familiar é importante, mas é o espírito empreendedor que se pode transmitir de geração em geração.