O uso do mapa da empatia na preparação das novas gerações das empresas.

Por Márcia Borges Fortes

Pesquisas com as famílias empresárias constataram que a longevidade dos negócios passa pelo preparo das gerações mais novas. No Brasil, 95% das empresas têm origens familiares, mas apenas sete em cada 100 chegam à terceira geração. A conduta preventiva nestes casos tem sido muito discutida e é foco das ações do Instituto Sucessor.

“A sucessão é um desafio tanto para os sucedidos quanto para os sucessores. Conhecer melhor as expectativas e as percepções das diferentes gerações é uma das prioridades do trabalho que desenvolvemos”, explica a psicóloga Márcia Borges Fortes, consultora parceira.

Para entender melhor as novas gerações das empresas, Márcia buscou na especialização em design estratégico ferramentas do universo criativo para incorporar ao trabalho.

“A utilização de novas ferramentas em nossa prática junto às famílias tem se mostrado facilitadora na criação de um ambiente que estimula a percepção e a reflexão. Uma das atividades que desenvolvemos com grupos de terceira geração é a construção da persona do herdeiro. Criamos uma espécie de perfil sobre quem é essa pessoa a partir dos diferentes olhares. A empresa e a família representam o ambiente social que a persona está inserida, influenciando seu modo de agir ou se comportar. É um trabalho muito rico que proporciona muitos insights e dá a eles a oportunidade de conversar sobre o papel de herdeiro e refletir sobre futuras ações”, revela.

Outro aspecto importante no trabalho com as novas gerações é o preparo para o papel de acionista, já que muitos jovens trilham caminhos profissionais em áreas distintas do negócio da família.

“É bastante comum percebermos uma preocupação das famílias empresárias com a sucessão das posições executivas, mas, tão importante quanto, é ajudá-los a criar uma cultura acionária. Por isso que durante o trabalho com os jovens também construímos a persona do acionista que corresponde ao modelo ideal que se quer seguir, a partir de um cenário familiar e empresarial já estruturado, que permite o desempenho profissional deste papel. A criação desta persona possibilita discutir ações de desenvolvimento de médio e longo prazo, além de conscientizá-los da responsabilidade que vem pela frente “, completa Márcia.

Existem várias ferramentas e abordagens utilizadas pelo Instituto Sucessor que facilitam o trabalho com os jovens, que os conectam, tanto nos negócios quanto no ambiente familiar. Pensar como um designer pode mudar a forma como as gerações enxergam o futuro. Conversar sobre o que vai acontecer, projetar cenários e ações faz parte do trabalho preventivo e consciente. A preparação dos membros da família e a inclusão de todos é importante para o processo sucessório, pois valoriza a continuidade e a possibilidade de um alinhamento acima dos interesses particulares de cada um.

*Márcia Borges Fortes é consultora parceira do Instituto Sucessor. Psicóloga, ela é especialista em avaliação psicológica nas organizações, facilitação de grupos e coaching executivo empresarial. Mais recentemente tem se dedicado a exploração de técnicas de design thinking e design estratégico e inovação.