Trabalho: equilíbrio entre satisfação e obrigações

Se a revolução digital mudou o modo como nos relacionamos com o outro e com o mundo, ela impactou também no jeito como trabalhamos. Nesse cenário, novas profissões surgem a cada ano, outras tantas deixam de existir, e a busca por felicidade e plena satisfação com o trabalho passa a ser algo a ser perseguido com afinco. Alcançá-la, entretanto, é algo utópico.

“O trabalho é uma circunstância da vida, a carreira é a maneira de fazê-lo, e a felicidade se apresenta e se ausenta em vários momentos. Não há felicidade sem esforço quando você pensa em carreira”, explica o filósofo e educador Mário Sérgio Cortella em entrevista ao jornal Correio Braziliense.

O que Cortella pretende com essa fala é desmistificar que nenhum trabalho será repleto apenas de felicidade, há que se ter consciência de que algumas tarefas serão menos satisfatórias, porém essenciais para o todo, e que podem vir a ser uma fonte importante de aprendizado.

“É preciso aprender a gostar também das coisas que são necessárias e que precisam ser feitas. Sem elas, será ainda mais difícil alcançar o seu propósito”, define Magda Geyer Ehlers, fundadora do Instituto Sucessor e consultora de Famílias Empresárias.

Mesmo em trabalhos voluntários, nos quais se colocam os conhecimentos e habilidades em prol do outro, sem retorno financeiro, essas tarefas menos agradáveis existirão. E são elas que ensinam o indivíduo a ser mais paciente e resiliente, e tornam cada pequena conquista um grande feito.

“A gente pode entender emprego como meio, mas trabalho, jamais. Há uma distinção entre trabalho e emprego: trabalho é fonte de vida, emprego é fonte de renda. Meu trabalho é aquilo que faço para que minha vida tenha sentido. Um pedaço do trabalho é emprego, mas não todo ele. Há pessoas que não têm emprego e trabalham: fazem trabalho voluntário, cuidam da casa e de outras pessoas. É uma ocupação. O mais gostoso é quando o emprego coincide com o trabalho. Nessa hora, evidente que o trabalho é fonte de vida, mas também meio de vida”, complementa o filósofo.

Leia na íntegra a entrevista de Mário Sérgio Cortella ao Correio Braziliense.

Conheça o livro Vida e carreira: Um equilíbrio possível?, de Mário Sérgio Cortella e do consultor na área de mudança organizacional e professor da Fundação Dom Cabral, Pedro Mandelli.