Já quando crianças, a finitude da vida nos intriga. Ao perguntar onde estão aqueles parentes da foto
que não conhecemos, ouvimos que “viraram uma estrelinha” e logo imaginamos uma estrelinha
brilhando no céu. Mas que outro significado isso poderia ter?

Indivíduo, família, parceria, empresa, patrimônio, sucessão, sustentabilidade, impacto e cultura.
Esta foi a trilha que idealizamos quando pensamos em estudar longevidade no contexto de famílias
empresárias. Ao mergulhar em cada um dos temas, conversar com especialistas e ouvir
depoimentos, nos vimos profundamente conectados ao perceber sinergia com o que acreditamos,
testemunhamos e orientamos na vivência do nosso trabalho.

Como indivíduos, queremos viver bem por mais tempo. Estender ao máximo possível nosso tempo de
consciência e autonomia para desfrutar de uma vida alegre e digna. Aprendemos que, para se
alcançar a qualidade de vida do futuro, o que importa é o estilo de vida que levamos hoje e durante
nosso percurso. Além de uma alimentação saudável e da prática de atividades físicas, que ajudam
muito, viver com conexões sociais fortes, senso de pertencimento, espiritualidade e propósito são
pilares de uma vida alegre, com sentido e longeva.

A família é a primeira e mais longeva forma de interação social. Dentro dela que o indivíduo estabelece
suas primeiras conexões e se forma como pessoa. Família longeva é aquela que consegue preservar
os laços de afeto e a convivência entre os diferentes núcleos e gerações familiares ao longo do tempo.
Para isso, fomenta o senso de pertencimento e conexão; capacidade de acolhimento; sintonia na
nova geração; habilidade de desenvolver relações maduras; sucessão na família; valor pelo
desenvolvimento; interesses em comum; e a presença de valores fortes e saudáveis.

Parceria é diferente de afeto. Trabalhar e tomar decisões em conjunto demanda vontade comum e
pragmática de colaborar. A relação societária é uma relação de parceria e, para ser bem-sucedida,
demanda maturidade, humildade, intenção, empatia, flexibilidade, transparência e confiança.
Longevidade na sociedade também requer parceiros que saibam crescer juntos e se reinventar sem
romper o vínculo.

A longevidade nas empresas nasce de três pilares: propósito, visão de longo prazo e governança
intergeracional – traços comuns às empresas familiares profissionalizadas, que por isso tendem a ser
mais resilientes. Na prática da governança entre gerações, tradição e inovação dialogam. Tradição
sem renovação gera estagnação; inovação sem raízes perde identidade. A governança precisa ser
viva: acordos e protocolos que se renovam, conselhos que evoluem e gerações que colaboram com
perspectivas distintas. O segredo da continuidade talvez esteja em “rejuvenescer sem negar a idade”.

O patrimônio familiar, na ótica financeira, é fruto de trabalho, coragem e renúncia. Quando o dinheiro
não é um fim, mas um meio, pode abrir caminhos, dar liberdade e trazer tranquilidade. Uma relação
saudável com a riqueza é uma virtude que se constrói. Para que o patrimônio seja longevo, é preciso
adaptação, governança e uma visão ampliada: a da família investidora. Essa família vê suas empresas
e outros ativos como um portfólio com propósito, que deve evoluir com o mundo sem perder sua
essência. Neste sentido, a família precisa se conhecer para poder se reconhecer no seu patrimônio,
fazendo refletir nele seus valores e crenças para que o seu legado ecoe dentro e fora da família.

A sucessão é um aprendizado que vem com a prática. As primeiras transições são as mais delicadas
por serem experiências novas para a família e para as empresas. Expectativa, insegurança, esperança
e outros sentimentos vêm e vão, mas o que deve prevalecer é a fé, a lembrança do seu propósito e a
certeza que a vida depois da sucessão continua. É preciso repensar os conceitos de aposentadoria e
carreira uma vez que quem “vive bem por mais tempo”, passa o bastão com vitalidade e energia para
fazer mais. O sucedido assume um novo protagonismo na nova fase da sua vida. Aqui, a reflexão a ser
feita é sobre qual será o próximo projeto, seja ele empresarial, filantrópico, esportivo, educacional,
criativo, ou simplesmente construir uma rotina com realização enquanto indivíduo e membro familiar.

O impacto das nossas empresas e investimentos acontece na vida de pessoas, no meio ambiente e
na sociedade. Mas nós o conhecemos? Importante saber que temos alternativas e que as escolhas
geram impactos diferentes. Além disso, entender que existem problemas que não se resolvem só
com negócios e precisam de doação – filantropia tem papel fundamental nesses casos.

E a cultura? A cultura também existe e está na família, na empresa, na sociedade e no patrimônio.
Importante é conhecê-la, ressignificá-la e transmiti-la com consciência através de ritos, histórias,
lembranças e a vivência autêntica dela no dia a dia.

Uma coisa que aprendemos nessa trilha é que para atingir a longevidade, na esfera que for, é preciso
intencionalidade. Para ter engajamento intergeracional, é preciso identidade e propósito, e, para ter
sentido, o impacto precisa ser maximizado. A longevidade não é destino, é construção.

Mas então, o que fica quando tudo se transforma? O que significa, afinal, “virar uma estrelinha”?
Talvez seja isso: deixar uma luz que continua a brilhar dentro dos que ficam.

Que este manifesto inspire cada um a olhar para dentro e, a partir desse olhar, se dedicar ao que vale
a pena perpetuar.

Instituto Sucessor, 18 de novembro de 2025.

Nosso agradecimento aos convidados que participaram dos webinars e contribuíram com este
estudo: Berenice Werle e Rodrigo Bodanese; Marilene Grandesso; Carlos Augusto de Matos, Ilson
Aparecido Stabile e Moacir Antônio Marafon; Antonio Azevedo; Richard Doern; Simone Bracht; e
Beatriz Johannpeter.

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